O Projeto Específico de Urbanização do Sapiens Parque, em Florianópolis (SC), representa uma iniciativa visionária de estruturação urbana voltada à inovação, ao desenvolvimento sustentável e à inteligência territorial. Desde os primeiros traços que originaram o conceito do empreendimento, no ano 2000, estivemos diretamente envolvidos na concepção e coordenação de todas as etapas do processo, liderando a atuação nas frentes de arquitetura e urbanismo até sua implantação.
Implantado em uma área de aproximadamente 4,3 milhões de metros quadrados (ou 431,5 hectares), o Sapiens Parque foi planejado para se desenvolver por etapas, com cerca de 1,3 milhão de metros quadrados de área edificável, distribuídos em fases e estruturas condominiais para usos variados, integrando tecnologia, pesquisa, cultura, educação, habitação e serviços em uma malha urbana inovadora. Ao todo, prevê-se a implantação de cerca de 257 unidades condominiais, organizadas conforme um modelo inteligente e funcional.
Ao longo de sua trajetória, o plano contou com a colaboração de profissionais de excelência, entre os quais destacam-se os arquitetos e urbanistas do MIT – Massachusetts Institute of Technology (EUA), que contribuíram de forma significativa com metodologias avançadas e abordagens inovadoras para o desenvolvimento urbano. Em sua etapa final, o projeto ganhou ainda mais consistência com a participação colaborativa da Fundación CEPA, da Argentina, especialmente dos arquitetos Rubén Pesci e Pedro Pesci, referências internacionais em planejamento sustentável e urbanismo estratégico.
Guiado pelo conceito de Reservas da Bioesfera Urbanas da UNESCO e pelas cinco dimensões da sustentabilidade — ecológica, econômica, social, cultural e espacial —, o plano propõe a criação de uma malha urbana inteligente, que articula centralidades, corredores ecológicos, áreas de inovação, zonas de uso misto, equipamentos públicos e infraestrutura tecnológica. A proposta transforma o território do Sapiens Parque em um ecossistema urbano dinâmico, resiliente e propício ao surgimento de novas economias e modos de vida.
A estruturação urbana respeita a paisagem natural, preserva áreas sensíveis e potencializa conexões ambientais por meio de eixos verdes e zonas de amortecimento. O sistema viário foi concebido com lógica funcional, integrando-se à malha da cidade e promovendo acessibilidade universal, mobilidade ativa e circulação eficiente.
Infelizmente, ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto, desafios de natureza política e ambiental — muitas vezes conduzidos por interpretações descontextualizadas dos princípios contemporâneos do urbanismo social e da construção de cidades seguras e voltadas às pessoas — impediram a plena aplicação de conceitos fundamentais do plano. Entre eles, destacam-se a implantação de zonas de uso misto com modelos diversificados de habitação multifamiliar, o adensamento equilibrado e a verticalização planejada em áreas estratégicas, ações que visavam, além da eficiência urbana, a preservação ampliada de zonas ambientais mediante a concentração consciente da ocupação humana.
Ainda assim, o plano manteve sua coerência técnica, sua solidez conceitual e seu compromisso com a sustentabilidade e a inovação.
Hoje, o Plano Estratégico de Urbanismo do Sapiens Parque, junto de seu Masterplan, é reconhecido como modelo de desenvolvimento urbano e tem servido de referência para diversos empreendimentos em outras regiões do Brasil, especialmente naqueles que buscam unir inteligência territorial, inovação econômica, equilíbrio ambiental e qualidade de vida em seus territórios de expansão.
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